04/11/2026 | Economia

56,9% das empresas industriais projetam redução do lucro nos próximos 3 meses, mostra CNI

Às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 56,9% das empresas industriais consultadas projetam redução ou forte redução no percentual de lucro nos próximos três meses.

O percentual é quase quatro vezes maior do que os 15,9% de respondentes que esperam aumentar a margem líquida no próximo trimestre. O resultado sugere que a maioria das empresas prevê dificuldades para preservar a rentabilidade em meio aos juros altos. 

"Mesmo com o Banco Central fazendo cortes na taxa Selic, os juros continuam altos e o ambiente de crédito é restritivo. A consulta mostra que essa também é a percepção do empresariado. Apesar de entender que leva um tempo até que a queda da taxa de juros se traduza em crédito mais barato, o empresário se preocupa com o hoje, ou seja, como fazer para bancar as contas do dia a dia", afirma a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso.

Consulta Empresarial sobre impacto dos juros

Os industriais consultados apontaram o reajuste do preço de venda como uma das alternativas para lidar com a pressão sobre os lucros. Quase metade (47,7%) dos entrevistados pretende aumentar ou aumentar fortemente seus preços, mesmo percentual dos que planejam mantê-los. Somente 4,5% das empresas ouvidas pela CNI sinaliza redução dos preços de venda. 

Pouco mais de metade das empresas prevê aumento da necessidade de crédito para pagar fornecedores

Entre as indústrias que participaram da consulta, pouco mais da metade (51,9%) espera aumento da necessidade de buscar financiamento nos próximos três meses para pagar fornecedores. Quando o assunto é o financiamento dos estoques, duas em cada cinco empresas (41,1%) projetam maior necessidade de crédito para comprar, produzir ou manter mercadorias e insumos armazenados até que eles sejam vendidos ou utilizados no processo produtivo. 

A pesquisa também buscou entender a necessidade de financiamento em contas a receber, que surge quando uma empresa vende produtos a prazo, mas precisa de dinheiro imediato para pagar despesas do dia a dia. Nos próximos três meses, 44,3% dos empresários ouvidos devem intensificar a tomada de crédito para cobrir esse buraco no fluxo de caixa. 

Os industriais consultados também esperam um aumento dos custos financeiros associados a essas operações. Entre as empresas que anteveem maior necessidade de financiamento, 56,1% também projetam juros mais altos nas operações de contas a pagar; 50% nas de estoques e 34,3% nas de contas a receber. 

Manutenção do saldo de dívida bancária é a expectativa mais frequente entre as empresas

Quanto às expectativas para o endividamento nos próximos três meses, 42,1% das empresas que responderam à questão projetam manutenção do saldo de dívida bancária. As expectativas de aumento e redução foram apontadas na mesma proporção, de 28,9% cada. 

Sobre a Consulta Empresarial 

A Consulta Empresarial teve como objetivo captar a percepção das empresas industriais sobre a política monetária e seus efeitos sobre a atividade empresarial. A iniciativa busca identificar como o nível da taxa básica de juros e as condições de crédito se relacionam com diferentes dimensões da atividade industrial, incluindo capital de giro, custos financeiros, endividamento, rentabilidade e formação de preços.