03/03/2026 | Institucional
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, e lideranças de setores produtivos entregaram ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, nesta terça-feira (3), um manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil. O documento é assinado por mais de 100 instituições que representam diversos segmentos, incluindo indústria, agronegócio, transportes, comércio e serviços, entre outros.
Os presidentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, e do Conselho de Assuntos Legislativos da CNI, Paulo Afonso Ferreira, e o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, acompanharam Alban na audiência. O presidente do Senado disse na reunião que dará continuidade ao diálogo em torno do tema e que a Casa fará uma avaliação técnica e de impactos econômicos da redução da jornada de trabalho antes de colocar o tema em votação. Alcolumbre já tinha recebido representantes dos trabalhadores previamente à reunião com o setor privado.
Antes da entrega do manifesto a Alcolumbre, os dirigentes se reuniram em almoço promovido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília. Na oportunidade, discutiram as medidas propostas no documento, que defende que o debate do tema seja baseado em quatro princípios: preservação do emprego formal; produtividade; diferenciação por setor e negociação coletiva; e discussão técnica aprofundada (confira a íntegra ao final do texto).
“O que estamos defendendo aqui é responsabilidade. É trabalharmos juntos para que essa discussão seja transparente, efetiva e conduzida não à luz de um ano eleitoral, mas à luz do que é melhor para a construção do futuro. Vejam o setor produtivo como um aliado na construção dessas soluções. Não queremos transferir decisões ao Congresso Nacional, nem cobrar resultados. O que queremos é construir um caminho em que não haja vencidos nem vencedores. Entendemos que qualquer ação do setor produtivo precisa ser pensada de forma conjunta, voltada para a sociedade e para o que é melhor para o país”, afirmou o presidente da CNI.
Indústria entrega manifesto ao Senado e defende debate técnico sobre jornada de trabalho
Competitividade, produtividade e precarização dos empregos
Para as instituições mobilizadas, o debate sobre a modernização da jornada de trabalho é legítimo e relevante para o bem-estar dos trabalhadores e para a dinâmica econômica do país. Contudo, há um aspecto central que precisa ser considerado nessa discussão: os impactos em competitividade, produtividade e a precarização dos empregos no Brasil.
“Modernizar a jornada não significa escolher entre qualidade de vida e atividade econômica. Significa construir um caminho em que o trabalhador possa viver melhor sem que o emprego formal se torne mais escasso ou mais instável. Para isso, é necessário reconhecer que a forma como a mudança é implementada importa tanto quanto o objetivo que se busca alcançar”, destacam as instituições em trecho do manifesto.
As instituições destacam ainda que países que reduziram a jornada de trabalho tomaram a medida após debate vinculado a ganhos de produtividade. “Quando a produção por hora trabalhada cresce, a sociedade consegue reduzir o volume de trabalho e preservar renda e preços. Isto torna o processo sustentável. No entanto, quando a mudança ocorre sem esse equilíbrio, o resultado pode ser o aumento de custos, a redução de contratações formais e/ou o repasse de preços para o consumidor. Nenhum desses cenários favorece o país, seus trabalhadores e suas empresas. Nesse contexto, o Brasil precisa acelerar qualificação, ampliar oportunidades e viabilizar adoção de tecnologia e inovação, sustentando produtividade”, aponta o documento.
Impactos na economia podem chegar a R$ 267 bi por ano
Levantamento da CNI indica que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. Proporcionalmente, o impacto para o setor industrial pode ser ainda maior, chegando a até 11,1% da folha de salários e resultando em aumento de despesas de até R$ 87,8 bilhões.
Segundo a projeção da CNI, os impactos serão sentidos com maior força na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais. De um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada pela empresa para manter o número de horas atuais de produção.
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