06/03/2026 | Educação

IA em sala de aula: veja o que rolou no Seminário Internacional SESI de Educação

Seminário Internacional SESI de educação

Nessa sexta-feira (6), educadores, especialistas e gestores escolares se reuniram na Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera (SP), para discutirem os impactos da inteligência artificial no ambiente escolar. O evento, promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, integrou a programação do 8º Festival SESI de Educação. 

Com o tema “O uso da inteligência artificial no contexto escolar”, o seminário trouxe para o centro do debate o papel das novas tecnologias nesse ambiente e como elas podem ser utilizadas de forma responsável como ferramenta estratégica para transformar as práticas pedagógicas e preparar jovens e crianças para os desafios do futuro. 

O diretor superintendente do SESI, Paulo Mól, ressaltou o caráter simbólico da realização do evento, que discute a aplicação da IA na educação, ser realizado durante o torneio nacional de robótica. Segundo ele, a iniciativa demonstra como as novas tecnologias podem atuar como aliadas no processo educacional. 

“É com satisfação que abro esse seminário que trata de uma temática fundamental para os dias atuais, é a oportunidade de apresentar e discutir novas perspectivas para a formação dos estudantes brasileiros”, destacou. 

Inovação e Qualidade na Educação Básica: o papel das políticas públicas na era da IA 

A primeira mesa, mediada pelo superintendente de Educação do SESI, Wisley Pereira, abordou os desafios e oportunidades da IA para a educação básica, especialmente no desenvolvimento de políticas públicas capazes de orientar o uso responsável dessas tecnologias nas escolas. 

A discussão contou com a participação do diretor de Educação e Competências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher; além do secretário de estado da educação e integrante Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), Roni Miranda; Maria Helena Guimarães, do Conselho Estadual de Educação de São Paulo; e da deputada Tabata Amaral. 

Durante o debate, Andreas Schleicher destacou que a inteligência artificial não deve ser vista como uma solução automática para os desafios da educação. “A inteligência artificial não é uma força mágica. Ela funciona como um amplificador que pode potencializar boas práticas, mas também ampliar problemas, dependendo de como é utilizada”, afirmou.

Na mesma linha, Maria Helena destacou que a IA precisa ser incorporada ao ambiente escolar de forma planejada e acompanhada por políticas de formação docente. Segundo a educadora, os professores precisam estar preparados para utilizar essas ferramentas em diferentes componentes curriculares, já que a formação inicial dos docentes ainda apresenta fragilidades nas disciplinas tradicionais. 

“A inteligência artificial não substitui o professor nem a intencionalidade pedagógica. Nosso propósito continua sendo garantir que o estudante aprenda, desenvolva pensamento crítico e saiba resolver problemas”, afirmou. 

A deputada Tabata Amaral ressaltou que o debate sobre inteligência artificial na educação já chegou ao Congresso Nacional, especialmente nas discussões sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE). 

De acordo com Tabata, um dos desafios para aproveitar o potencial da tecnologia está na infraestrutura: cerca de 41% das escolas brasileiras ainda não possuem computadores para os alunos, além de enfrentarem problemas de conectividade. O novo plano prevê ampliar o acesso à internet de qualidade, com a meta de atender 50% das escolas em cinco anos e 100% em até dez.

O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda, também chamou atenção para os desafios estruturais do país. Ele enfatizou que o uso de inteligência artificial nas escolas exige, antes de tudo, garantir conectividade. “Como vamos falar de IA se não temos internet nas escolas?”, questionou.

Formação de Professores para o uso das Tecnologias e da IA 

O seminário também tratou sobre a formação dos professores para a utilização de recursos tecnológicos de forma ética e eficiente. O debate contou com a presença de João Alegria, da Fundação Roberto Marinho; Cláudia Costin, presidente do Instituto Salto; e Guilherme Araújo, General Manager da Account Team Unit (ATU) da Microsoft Brasil. 

Para a especialista em educação Claudia Costin, a incorporação dessas ferramentas precisa estar alinhada a objetivos mais amplos da educação. Conforme ela ressaltou, a IA deve estar a serviço do cumprimento das metas educacionais globais, como as estabelecidas pela Organização das Nações Unidas na Agenda 2030, que busca garantir uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade.

Representando o setor de tecnologia, Guilherme Araújo abordou como os avanços da IA têm ampliado as possibilidades de aplicação dessas ferramentas na educação. Segundo ele “a IA deixou de atuar apenas como assistente e passou a funcionar como agente, capaz de executar fluxos completos de tarefas, mas sempre sob supervisão humana”. 

No ambiente educacional, Araújo ressaltou que essas ferramentas podem apoiar professores em atividades como correção de redações, organização de conteúdos e acompanhamento do desempenho dos estudantes. Ele também destacou que sistemas baseados em IA permitem identificar lacunas de aprendizagem e oferecer trilhas de estudo personalizadas, ampliando o suporte ao aluno ao longo de sua jornada escolar. 

Boas práticas com o uso da IA no contexto escolar    

Da última mesa participaram Lilian Bacich, diretora e sócia-administradora da Tríade Educacional; a fundadora e diretora executiva do Instituto Educadigital, Priscila Gonsales; o gerente de educação do SESI-SP, Roberto Xavier; e a gerente de educação do Rio Grande do Sul, Sônia Bier. 

Lilian Bacich levantou o grande questionamento “O que caracteriza uma boa prática com IA no contexto educacional?”. Para a educadora, essa boa prática deve ser fundamentada em cinco pilares: Intencionalidade; Pensamento Crítico; Autoria; Ética e responsabilidade; e Avaliação formativa. 

“O primeiro desafio para desenvolver boas práticas é entender que a IA é uma tecnologia, baseada em probabilidade e estatística, que deve ser utilizada para buscar o desenvolvimento integral dos estudantes, não apenas para repassar conteúdos”, explicou. 

Diante desse contexto, Sônia Bier destacou que essa tecnologia amplia as oportunidades no processo de ensino e aprendizagem. “No entanto, ela deve estar conectada ao território em que atuamos para que não se torne algo genérico, ao ponto de não conseguirmos exercitar o pensamento crítico dentro e fora da sala de aula”, enfatizou.   

Para deixar concreto o conceito de IA no contexto educacional, Priscila Gonsales convidou o público para fazer um exercício imaginário e se questionar “Qual a função social da escola?”, “Afinal, o que é inovação?”, “Eu uso a IA ou é a IA que me usa?”, e “Três atitudes diante da IA: entusiasta, analítica ou transformativa? Em qual estamos? A criticidade deve estar presente durante todo o processo, na escolha da plataforma, nos comandos utilizados e, principalmente, na aplicabilidade dessa tecnologia”. 

Por fim, o gerente de educação do SESI-SP, Roberto Xavier, falou da Plataforma de Estudo Personalizado (PEP), que conta com o material didático da rede SESI, bem como recursos inteligentes que facilitam o processo de aprendizagem: redação com IA, atendimento humanizado, bilíngue, entre outros.  

Ele abordou, ainda, a respeito da conexão entre a inteligência artificial e a indústria 4.0. De acordo com Roberto, a ferramenta contribui na preparação de jovens para ambientes de automação e análise de dados. “A IA possibilita a formação de profissionais capazes de colaborar com sistemas inteligentes, fortalecendo o setor industrial”, concluiu o gerente. 

Confira os melhores momentos do Seminário Internacional SESI de Educação no Flickr

Fotos: Elias Gomes / CNI